12/24/11
Considerava sinceramente que havia atingido um bom nível de paz interior. Mas, quando olhava para trás, entrevia um rastro de reticências que parecia dizer que algo ainda estava faltando. Como assim? Não era mais para você estar aí… — divagava, confusa (mas não muito). Alguns dias achava que só mesmo umas três outras vidas ou [...]
Continue reading...
11/07/11
— Como é que você consegue se equilibrar assim? — Ah… não sou eu… quem equilibra é a pedra… e a pétala. — Mas você pode avacalhar tudo… por descuido. E escorregar. — Só escorrego quando eu rio. — Rio? E o mar? — Bem… se a onda vier forte… — Não sei… equilibrar me [...]
Continue reading...
10/28/11
Adorava arroz selvagem. Nem tanto pelo sabor, muito mais pela sonoridade. E pelo vazio quente entre as pernas que a palavra ‘selvagem’ despertava nela.
Oh, Deus… Aconteceu de novo. Era ela quem tinha escrito aquilo… mas foi sem querer… Acontecia às vezes. Lip sentia-se paralisada por uma força invisível e, então, uma mão cadavérica — [...]
Continue reading...
10/23/11
Aquele maldito sonho já estava dando-lhe nos nervos. Já acontecia há mais de ano. Todas as noites, sempre à mesma hora, 3:43 da manhã — podia ver marcado nos números vermelhos do rádio relógio —, acordava assustado sem conseguir entender seu significado. Era sempre igual: o envelope estampado era enfiado por baixo de sua porta [...]
Continue reading...
10/16/11
O sagui Shakespeare não usava patins quando deslizava nos fios elétricos da Urca. Gostava de poder sentir o atrito metálico sob os pezinhos. Não se importava com o risco de choques ou de morrer eletrocutado. Afinal, já nasceu pronto para morrer. — Por que você só fica aí parado? Vamos deslizar até aquela outra árvore. [...]
Continue reading...
10/10/11
B1: Não é fácil. B2: Nunca foi. B1: Nunca será? B2: A-lá o vento… vem vindo… segura, berenice. B1: aimeudellz… [Passa o vento como se não houvesse amanhã, descabelando B2] B2: U-hu. Pronto, me leva, me come. Tô pronto. Obs.: B1 é o da direita. Nasceram ao contrário. PHOTOLETRA
Continue reading...
10/06/11
O cano desemboca no tapete da sala. Não debaixo do tapete. Em cima. Os segredos empapam tudo e não se pode varrer nada pra debaixo do tapete. E fica, então, tudo à mostra. Segredos ex-postos. Ex-segredos. PHOTOLETRA
Continue reading...
10/01/11
Aproximou-se do homem que gritava para uma enorme bola flutuante: — Desça já daí! Não me venha com gracinhas logo agora. — Que coisa é essa? — Coisa? Que coisa? — Essa bola enorme aí flutuando? — Ah, é meu bago esquerdo. Fugiu faz um tempo. Desde então em venho rolando o danado morro acima, [...]
Continue reading...
09/22/11
Era muito louca a louca que morava no alto do muro. Lá de cima de seu pedestal de 50 metros, ela podia ver tudo o que acontecia com o povo que vivia no chão. E, por isso, todos temiam muitíssimo a louca que morava no alto do muro.
Às vezes ela sentava-se na beira, [...]
Continue reading...
09/18/11
Deitado na areia da praia de Tapotupotu, M. sentia uma inveja da porra do céu infinito acima dele. — Sartre, seu besta, você não sabe de nada… — pensava. O barulho das ondas do mar parecia concordar. Assim lhe parecia. — Estou condenado a ser livre? — gritou para o céu. — Tá, pô. — [...]
Continue reading...